sábado, 17 de março de 2012

Chá ou café?

Quero um café quente
Na cama,
Depois de uma noite de luxúria,
Me traga também
Um chá morno,
Estou doente.
Ou a febre é um pretexto
Pra ousar te fazer imaginar,
Me proporcionar
Todo prazer 
Que a volúpia for capaz de captar.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Inquietação

A esperança inunda as horas vazias
No silêncio quebrado,
Sem importância.
O corpo dormento de tanto tormento,
Pensamentos que vagam como os loucos
Perdidos nos labirintos da memória
Percorrem os mundos revisitando a saudade.
E no burburinho de um silêncio quebrado
E sem importância
Viajam em trens descompassados
Pedindo socorro desesperados.
O corpo dói, o sono chega,
A sede invade, o calor incomoda
E nesse instante os desejos correm
Pelos campos a fora
Na carona desse trem desgovernado
Que sem rumo, nem destino
Vaga perdido como um louco.

domingo, 4 de março de 2012

"As madrugadas foram feitas escuras justamente para que poucos pudessem ver através delas. Tornando-se assim, perfeitas aos amantes e poetas."
Sobre lembranças e desejos ocultos

O cheiro da chuva trazido no vento
Do fim da tarde, quase fria,
Faz o pensamento se perder
Entre as lembranças da noite passada
E a sensação recente,
Do dia presente.
E envolto no calor da memória
Ainda sinto a forte leveza
Do teu corpo sobre o meu,
E o gosto doce da tua boca,
Que poderia ter o sabor do anis,
Ou de qualquer outra doce erva.
É possível ainda sentir teu aroma
Que exala dos meus poros.
Ao passo em que o dia,
Quase quente,
Brinca com meus instintos
Me fazendo por vezes
Abandonar a lembrança
Da tua presença no anoitecer passado.
O presente interrompe,
Mesmo que momentaneamente,
Todo pensamento extasiante
Do teu corpo sobre o meu,
Pelo desejo oculto
De quem nunca por mim
Teve os lábios tocados.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Desencontros

Então fui até seu encontro
Prendi meu cabelo em flor
Escolhi o mais belo vestido
Pus meu perfume favorito
Na dose certa pra te seduzir
Me banhei nas águas calmas da esperança
Mergulhei em profundezas tranquilas
Segui por uma estrada certa
Que de certezas não tinha nada
E quando aportei em teu porto,
Já não estavas lá
Descobri então,
Que abandonaste teu posto
Rumo ao meu porto,
E o destino se encarregou do desencontro.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Protótipo imperfeito

Uma noite perfeita para velas,
Incensos e ilusões,
A incandescência foi aplacada
Pela chuva fina do fim do verão
Mas a alma inquieta sente a eletricidade
Que percorre as veias
Com a urgência que a decência
Não ousa ultrapassar.
Hoje a bebida é doce
E quando toca os lábios 
É mais sensato calar.
O novo protótipo é mais comedido,
Suas novas medidas 
Ainda buscam a medida
Para abrigar uma alma 
Que não cabe no novo modelo,
Extravaza o protótipo
Tornando todas as noites,
Até mesmo as amenas,
Incandescentemente desmedidas.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tentativa

Hoje eu as vi,
Como achei que jamais tornaria a vê-las
Desde que enganosamente,
Delas me despedi,
Na terra em que por alguns momentos
Se fez passar por terra de encatamentos
Sim, falo das estrelas,
Mas não qualquer estrela,
Perdida no infinito,
Me refiro a estrelas específicas
As quais profanei assim que me despedi
E ainda na sequencia, sem contatamento
Profanei meu amor por ti,
Numa última tentativa insana
De ter esse esquecimento
E como doeu acreditar,
Que já não te amava mais
Mandar embora meus sentimentos por ti
Talvez tenha me feito sofrer tanto quanto,
Numa tarde de inverno
Ter ido embora.