quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Descoberta

Uma das lições aprendidas
Num outro canto qualquer
Seja menos "porra loca"
Seja mais comedida
Nunca perca as medidas
Proteste mais
Seja mais radical
Seja mais sua essência
Em todo seu esplendor
Viva toda sua ira
E toda paixão dos seus desejos
Não se arrependa de nada
Nem dos impulsos explosivos
Nem dos momentos reflexivos
Eles são o que tornam você
Aquilo que você é,
Humana,
Carregando consigo
Toda grandeza divina
E todo o orgulho profano
E se não fosse tudo isso
Todas as histórias vividas
Essas palavras escritas
Perderiam todo o sentido.
Ontem Hades me visitou
Há tempos que Eros partiu
Aprendi a prantear a dor
No silêncio da solidão.

Dionísio agora
É quem cuida de mim
Sigo meu caminho no improviso
Entre lágrimas e risos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Urgência

Vivo com a pressa 
De como se fosse morrer amanhã
Com a fome e a sede 
De quem nunca foi saciado
No extremo das paixões
Na intensidade dos desejos,
Na fúria da irá
Vivo como se fosse morrer amanhã
Na luz do sol me deito pra descansar
Pensamentos perdidos que nunca descansam
E adormecer é difícil
Quando as asas do destino
Encobrem nosso caminho.

domingo, 9 de outubro de 2011


Nas noites de Sabá

É noite de Sabá
As fogueiras se acendem,
A chuva cai,
A festa se inicia
As honras começam
Mnemósine não foi convidada
Mas está presente
E todos a dançar
Em volta do fogo, pensam
Nas pequenas paixões
Nos grandes amores
Deixados pra trás
Em outros Sabás
Outros rituais
Pequenas paixões
Só curam pequenas paixões
Não tomam o lugar dos grandes amores
Na intrusa presença de Mnemósine.

À margem

Quando deixo a divindade
Tão sagrada quanto a Lua
Tal como felinos na madrugada
Me jogo a margem
Corro pra rua
Desço à terra
À sombra das virtudes
Tão perto do pecado
Sigo pela linha estreita
Entre o sagrado e o profano
Vou no passo de um raio de sol
E chego na pressa da senhora preguiça.

Lua sem Sol

A Lua triste
Num dia sem Sol
Mais de trinta luas
Já se passaram
E nenhum outro sol brilhou
Nas noites sombrias
E dias chuvosos
Se esconde entre as nuvens
E chora através da chuva
Inspiradora dos amantes
De tantos amantes que teve
E no alto brilha sozinha
Fonte de luz
E brilho apagado
De quem nunca mais
Encontrou o Sol.

sábado, 8 de outubro de 2011

Entre o vazio e o infinito

Eu invado a noite com passos largos
Com o olhar firme de olhos atentos
O pensamento disperso
E o coração solitário.

Busco descobrir os segredos da Lua Cheia
E quem um dia já os desvendou?
Se esse é o grande mistério
Para quem percorre os caminhos obscuros.

Ando pelas calçadas sujas
Enquanto as folhas secas 
Das árvores caem
Regidas pela sinfonia do vento.

O olhar firme
De olhos atentos
Vislumbra um horizonte
Perdido entre o vazio e o infinito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Paixão de quatro estações

Mais uma primavera se aproxima
O tempo corre pela linha tênue
Entre a chuva fina e fria
Do inverno que insiste em mostrar sua face.

Mas ele não tem como não ceder
Ao cheiro das flores
Que inebriam o olfato
Na mesma proporção em que seu frio gela o tato.

É inevitável,
A primavera vai roubar a cena
E em breve
As tardes serão amenas e ensolaradas.

Mais um ciclo há de se fechar
E de uma paixão por estação
Sempre chega o tempo em que a mesma paixão
Dure as quatro estações.

E assim como chegou 
Com o cheiro da primavera passada
Que se vá...
Nas águas do fim do inverno.
                                
Contenção

Gritai, gritai, gritai
Sob o manto da contenção
Para por louco não parecer
Adulto precisa ser.

Ser adulto é endurecer
Aprender a se conter
Suprimir tudo que sentir
Para por fraco não se fazer.

E tudo para quê?
A prova cabal
Para a sociedade
Satisfazer.

Gritai, gritai, gritai
Extravase todo sentido
Sinta, sinta, sinta
Não se apegue à hipocrisia.

Grite, sinta
Veja e toque
Não seja adulto
Seja Humano!
       

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

No caminho das sombras


Meu destino é vagar pelas sombras
Oscilando entre a penumbra e a escuridão
Em cada poça de água parada
Um reflexo quase apagado
Caminhando por becos na madrugada
Calçadas discalças, dilaceradas
Encobrem a mais singela luz
Sob as trevas dessa madrugada
E amanhacer na névoa gelada
Continuará sendo a sombra da caminhada.
                                           
Oração de uma Libertina

Posso te entregar de livre e bom grado
Meus doces beijos e carícias ardentes,
Posso me doar expontaneamente 
Aos seus caprichos por vãos momentos
E ceder brevemente aos teus desejos
E ainda te fazer crer
Que estes intensos desejos são meus,
E prometer em tuas palavras nunca acreditar
Porém, jamais prometo nada
Porque já me despedi das juras
Também aboli os juros
Que se acumularam das culpas
E por isso e por vontade própria
Vou me despindo pela noite vulgar,
Deixando esquecido os pudores,
Espalhando desejos profanos
Permitindo que profane meu templo
Que há tanto tempo deixou de ser sagrado
O inunde com sua luxúria
E nesse breve instante
Em que meu templo despido é teu fetiche
Te ofereço de joelhos
A minha mais lembrada prece
Aquela que do mundo dos mortos
Há de te fazer levantar
E deste momento, não há de te esquecer
Ao passo que tal sacerdotisa
Pra outros deuses há de orar
E a todos, tão profanos quanto tu
Receberão as mesmas preces
Mas jamais encotrarão
Um tesouro que há escondido
Dentro deste templo perdido.
                                

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lua Cheia para Marte

No baú de Mnemósine
Busco a textura da tua boca
O gosto do teu beijo
O calor do teu abraço
Os pêlos do teu braço
Nas centenas em que lhe procurei
Meros enganos encontrei
E no mergulho turvo
De uma visão deturpada
Foi teu sorriso que busquei
Foi teu olhar perdido
Teus gestos escondidos
E todas as palavras não ditas
Que em outros procurei
E só eu sei o quanto te busquei
O quanto andei por lugares vazios
Na ânsia de encontrar tuas mãos macias
E sentir o calor do teu corpo
Marte, para sempre a Lua Cheia será tua,
Apenas plena para ti,
Porque a Lua só se fará plena em ti,
Faça a Lua Cheia!
                   
Rito

Bebado
Bebo,
Bebo,
Bebo sim.

Ao passado,
No presente,
E ao futuro
Como um rito a Baco.

Porque Vênus,
Não compareceu ao rito
E Hermes trás em suas sandálias
Poeira e vento...