sábado, 8 de outubro de 2011

Entre o vazio e o infinito

Eu invado a noite com passos largos
Com o olhar firme de olhos atentos
O pensamento disperso
E o coração solitário.

Busco descobrir os segredos da Lua Cheia
E quem um dia já os desvendou?
Se esse é o grande mistério
Para quem percorre os caminhos obscuros.

Ando pelas calçadas sujas
Enquanto as folhas secas 
Das árvores caem
Regidas pela sinfonia do vento.

O olhar firme
De olhos atentos
Vislumbra um horizonte
Perdido entre o vazio e o infinito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Paixão de quatro estações

Mais uma primavera se aproxima
O tempo corre pela linha tênue
Entre a chuva fina e fria
Do inverno que insiste em mostrar sua face.

Mas ele não tem como não ceder
Ao cheiro das flores
Que inebriam o olfato
Na mesma proporção em que seu frio gela o tato.

É inevitável,
A primavera vai roubar a cena
E em breve
As tardes serão amenas e ensolaradas.

Mais um ciclo há de se fechar
E de uma paixão por estação
Sempre chega o tempo em que a mesma paixão
Dure as quatro estações.

E assim como chegou 
Com o cheiro da primavera passada
Que se vá...
Nas águas do fim do inverno.
                                
Contenção

Gritai, gritai, gritai
Sob o manto da contenção
Para por louco não parecer
Adulto precisa ser.

Ser adulto é endurecer
Aprender a se conter
Suprimir tudo que sentir
Para por fraco não se fazer.

E tudo para quê?
A prova cabal
Para a sociedade
Satisfazer.

Gritai, gritai, gritai
Extravase todo sentido
Sinta, sinta, sinta
Não se apegue à hipocrisia.

Grite, sinta
Veja e toque
Não seja adulto
Seja Humano!
       

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

No caminho das sombras


Meu destino é vagar pelas sombras
Oscilando entre a penumbra e a escuridão
Em cada poça de água parada
Um reflexo quase apagado
Caminhando por becos na madrugada
Calçadas discalças, dilaceradas
Encobrem a mais singela luz
Sob as trevas dessa madrugada
E amanhacer na névoa gelada
Continuará sendo a sombra da caminhada.
                                           
Oração de uma Libertina

Posso te entregar de livre e bom grado
Meus doces beijos e carícias ardentes,
Posso me doar expontaneamente 
Aos seus caprichos por vãos momentos
E ceder brevemente aos teus desejos
E ainda te fazer crer
Que estes intensos desejos são meus,
E prometer em tuas palavras nunca acreditar
Porém, jamais prometo nada
Porque já me despedi das juras
Também aboli os juros
Que se acumularam das culpas
E por isso e por vontade própria
Vou me despindo pela noite vulgar,
Deixando esquecido os pudores,
Espalhando desejos profanos
Permitindo que profane meu templo
Que há tanto tempo deixou de ser sagrado
O inunde com sua luxúria
E nesse breve instante
Em que meu templo despido é teu fetiche
Te ofereço de joelhos
A minha mais lembrada prece
Aquela que do mundo dos mortos
Há de te fazer levantar
E deste momento, não há de te esquecer
Ao passo que tal sacerdotisa
Pra outros deuses há de orar
E a todos, tão profanos quanto tu
Receberão as mesmas preces
Mas jamais encotrarão
Um tesouro que há escondido
Dentro deste templo perdido.
                                

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lua Cheia para Marte

No baú de Mnemósine
Busco a textura da tua boca
O gosto do teu beijo
O calor do teu abraço
Os pêlos do teu braço
Nas centenas em que lhe procurei
Meros enganos encontrei
E no mergulho turvo
De uma visão deturpada
Foi teu sorriso que busquei
Foi teu olhar perdido
Teus gestos escondidos
E todas as palavras não ditas
Que em outros procurei
E só eu sei o quanto te busquei
O quanto andei por lugares vazios
Na ânsia de encontrar tuas mãos macias
E sentir o calor do teu corpo
Marte, para sempre a Lua Cheia será tua,
Apenas plena para ti,
Porque a Lua só se fará plena em ti,
Faça a Lua Cheia!
                   
Rito

Bebado
Bebo,
Bebo,
Bebo sim.

Ao passado,
No presente,
E ao futuro
Como um rito a Baco.

Porque Vênus,
Não compareceu ao rito
E Hermes trás em suas sandálias
Poeira e vento...